Quando querem saber
o que sou?
Abro o currículo
De prefência o lattes
E respondo função.
Quando querem saber
Qual a idade?
Olho-me no espelho
Escondo os cabelos brancos
E enumero os anos de vida.
Quando querem saber
De que gosto?
Olho em volta, abro armários
Fuço estantes
Listo coisas.
Quando querem saber
Onde estou?
Para baixo, pés. Para cima, o nada
Logo ali em frente: a amplidão,
E anoto meu endereço.
Quando querem saber
Sobre o meu existir
Arregalo os olhos...
E a cada dia, é mais evidente
Que ser se tornou fazer
Envelhecer se tornou perder
Gostar se tornou ter
Estar se tornou morar
Entornando o caldo da repetição.
Nesta ciranda decadente,
Viventes menores querem
Que eu seja tanto
Sem sê-lo intensamente.
Para eles, letras e linhas.
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